Injeção de medicamento dentro do útero pode melhorar implantação dos embriões em ciclos de Fertilização in vitro

Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi

Dr. Rogério Leão

Nos últimos anos houve muito avanço nas técnicas de reprodução assistida, mas a taxa de sucesso ainda está entre 30 a 50%, por ciclo (1). Estima-se que 50 a 75% das perdas se devam a falha na implantação, portanto muito esforço vem sendo feito para se tentar melhorá-la (2). Sabemos que há vários fatores que contribuem para o embrião transferido num ciclo de FIV (fertilização in vitro) conseguir se implantar ao útero (3). Sabemos que a qualidade do embrião e a receptividade do endométrio interferem nesse sucesso, mas a implantação é um processo complexo e muitos fatores estão envolvidos como, por exemplo, a gonadotrofina coriônica humana (hCG) (4). Esse hormônio é secretado pelo embrião e tem papel fundamental na “invasão” do embrião no endométrio e na regulação da tolerância imunológica do endométrio ao embrião, essencial para implantação (5,6). Além disso, ele regula a liberação de várias substâncias importantes para esse processo (7).

Dessa forma, surgiu a idéia de que a injeção de hCH diretamente no endométrio poderia melhorar a taxa de implantação. Um grande estudo publicado em 2011 foi realizado no Egito por Mansour et al, avaliando se a injeção intra-uterina de hCG  antes da transferência de embrião poderia aumentar a taxa de implantação e de gravidez em ciclos de FIV. Nesse estudo, foi demonstrado que com esse procedimento, aumentou-se a taxa de implantação de 29,5% para 41,6% e a taxa de gravidez de 60 para 75%, resultados estatisticamente significativos (8).

Novos estudo precisam ser realizados para confirmar esse achado, assim como definir melhor que grupo de pacientes seriam beneficiadas com essa abordagem, mas, de qualquer modd, levanta uma nova opção de tratamento para melhorar a implantação e o sucesso da FIV.

Referências

1- de Mouzon J, Lancaster P, Nygren KG, Sullivan E, Zegers-Hochschild F, Mansour R, et al, International Committee for Monitoring Assisted  Reproductive Technology. World collaborative report on Assisted Reproductive Technology, 2002 [published correction appears in Hum Reprod 2010;25:1345]. Hum Reprod 2009;24:2310–20.

2- Norwitz ER, Schust DJ, Fisher SJ. Implantation and the survival of early pregnancy. N Engl J Med 2001;345:1400–8.

3- Psychoyos A. Uterine receptivity for nidation. Ann NYAcad Sci 1986;476:36–42.

4- Tsampalas M, Gridelet V, Berndt S, Foidart JM, Geenen V, Perrier d’Hauterive S. Human chorionic gonadotropin: a hormone with immunological and angiogenic properties. J Reprod Immunol 2010;85:93–8.

5- Burton GJ. Early placental development. Placenta 2006;27:A2.

6- Zenclussen AC, Gerlof K, Zenclussen ML, Ritschel S, Zambon Bertoja A, Fest S, et al. Regulatory T cells induce a privileged tolerant  microenvironment at the fetal-maternal interface. Eur J Immunol 2006;36:82–94.

7- Licht P, L€osch A, Dittrich R, Neuwinger J, Siebzehnr€ubl E, Wildt L. Novel insights into human endometrial paracrinology and embryo-maternal

communication by intrauterine microdialysis. Hum Reprod Update 1998;4:532–8.

8- Mansour R, Tawab N, Kamal O, El-Faissal Y, Serour A, Aboulghar M, Serour G.

Intrauterine injection of human chorionic gonadotropin before embryo transfer significantly improves the implantation and pregnancy rates in in vitro fertilization/intracytoplasmic sperm injection: a prospective randomized study. Fertil Steril. 2011 Dec;96(6):1370-1374.e1. Epub 2011 Nov 1.

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