Transferência de embriões congelados em ciclo natural aumenta a taxa de gravidez

Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi
Dr. Rogério Leão
Com as regras mais restritivas quanto ao número de embriões transferidos e o avanço nas técnicas de vitrificação de embriões, tem-se crescido muito o número de embriões congelados. Frente a isso, muito tem se discutido a respeito da melhor forma de preparar o endométrio para receber estes embriões após o descongelamento (1).
Existem várias formas de preparar o endométrio: através de estrógeno exógeno, estimulação ovariana com gonadotrofinas ou ciclo natural (sem medicação). Um estudo antigo realizado por Loh et al, em 1999, em Singapura, já demostrava que embriões descongelados transferidos em ciclos naturais apresentavam uma taxa de gravidez maior do que ciclos com hormônios exógenos (2).
Estudos mais recentes vem confirmando esses achados. Mozorov  et al, em 2007, em estudo realizado em Nova Iorque (EUA), tiveram 36.76% de gravidez em ciclos naturais de transferência de congelados, para 22.99% de gravidez com reposição de hormônios. Foi observada ainda uma maior espessura endometrial no ciclo natural, com uma menor concentração de estradiol no sangue. Nas pacientes que engravidaram, o nível de estradiol foi menor que nas que tiveram falha, mostrando que o estradiol em excesso talvez atrapalhe a implantação (1).
Ano passado, um novo estudo avaliando 648 ciclos de transferências de congelados, na Coréia do Sul, também observou maior taxa de gravidez em ciclos naturais (41,9%) contra 30,4% em ciclos com hormônios, além de maior taxa de implantação. Não houve diferença na espessura endometrial ou nível de estradiol (3).
Em 2012, foi publicado um novo estudo, realizado na França, que mostrou esse mesmo resultado. Comparando o ciclo natural com ciclo com estrógeno ou estimulação ovariana com gonadotrofinas, observou uma taxa de gravidez superior no ciclo natural (20,49% contra 13,04% e 11,32% nos outros grupos).
Apesar dos bons resultados, ressaltamos que o ciclo natural para transferência de embriões só pode ser tentado se a paciente apresenta níveis hormonais normais e ciclo regular. Além disso, exige-se um controle mais rigoroso de ultrassom e dosagens hormonais.
Nos casos emque é possível, o ciclo natural é uma boa opção para aumentar a chance de implantação e gravidez nos ciclos de transferência de embriões congelados.
Referências Bibliográficas:

1 – Morozov V, Ruman J, Kenigsberg D, Moodie G, Brenner S. Natural cycle cryo-thaw transfer may improve pregnancy outcome. J Assist Reprod Genet. 2007 Apr;24(4):119-23. Epub 2007 Feb 16.
2 – Loh SK, Leong NK. Factors affecting success in an embryo cryopreservation programme. Ann Acad Med Singapore. 1999 Mar;28(2):260-5.
3 – Chang EM, Han JE, Kim YS, Lyu SW, Lee WS, Yoon TK. Use of the natural cycle and vitrification thawed blastocyst transfer results in better in-vitro fertilization outcomes : cycle regimens of vitrification thawed blastocyst transfer. J Assist Reprod Genet. 2011 Apr;28(4):369-74. Epub 2011 Jan 13.
4- El Bahja D, Hertz P, Schweitzer T, Lestrade F, Ragage JP.Frozen embryo transfer protocol: Does spontaneous cycle give good results?] Gynecol Obstet Fertil. 2012 Feb 15.
Natural cycle cryo-thaw transfer may improve pregnancy outcome
J Assist Reprod Genet. 2007 Apr;24(4):119-23. Epub 2007 Feb 16.
Morozov V, Ruman J, Kenigsberg D, Moodie G, Brenner S.
Source
Department of Obstetrics and Gynecology, Long Island Jewish Medical Center, Long Island Campus of Albert Einstein College of Medicine of Yeshiva University, New Hyde Park, NY 11040, USA. morozovfamily@netscape.net
Abstract

OBJECTIVE:
To compare natural vs. hormone replacement treatment (HRT) for cryo-thaw embryo transfer cycles in patients with frozen embryos from previous ART.
DESIGN AND SETTINGS:
Retrospective chart review of 164 patients (242 cycles) who underwent natural or HRT cryo-thaw embryo transfer between January 2002 and April 2005.
MAIN OUTCOME MEASURES:
Pregnancy rates per transfer in natural and HRT cryo-thaw cycles.
RESULTS:
The pregnancy rate per transfer was higher with natural cycles (36.76% vs. 22.99%, P = 0.0298). There was no statistical difference in mean age, endometrial thickness, and average embryo quality in successful cycles. Mean endometrial thickness prior to transfer was greater in natural cycles (9.95 vs. 8.89 mm, P < 0.001). Mean serum estradiol levels were higher in the HRT group prior to transfer (526.1 vs. 103.8 pg/ml, P < 0.001), and were found to be lower in women who achieved pregnancy (337.1 vs. 433.3 pg/ml, P = 0.0136).
CONCLUSION:
Hormone replacement in preparation for cryo-thaw transfer of embryos was found to be associated with decreased pregnancy rates in comparison to natural cycle cryo-thaw transfer. Greater endometrial thickness was achieved with lower serum estradiol levels in patients undergoing natural cycles, suggesting that higher estradiol levels during HRT cycle may interfere with the window of implantation.

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